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Pelo bem da floresta

Posted on May 28, 2011 at 10:50 PM

Pesquisa isolou, selecionou e caracterizou bactérias com potencial biotecnológico em floresta de araucária na Serra da Mantiqueira

 A busca por tecnologias limpas e que não ofereçam riscos ao ambiente e ao ser humano é cada vez mais intensa. Uma das possibilidades refere-se ao emprego de micro-organismos como uma alternativa à utilização de fertilizantes químicos e agrotóxicos, ao serem aplicados como biofertilizantes e agentes do controle biológico. “As rizobactérias promotoras do crescimento de plantas (RPCP) podem favorecer o desenvolvimento vegetal por meio de múltiplos mecanismos de ação, a partir da produção de substâncias reguladoras do crescimento, pelo aumento na disponibilização de nutrientes na rizosfera, bem como pela supressão de fitopatógenos neste ambiente”, comenta Carlos Marcelo Ribeiro, biólogo e autor da pesquisa que buscou isolar, selecionar e caracterizar bactérias com potencial biotecnológico em Araucaria angustifolia. “Esta é a única espécie do gênero que ocorre naturalmente no Brasil, está criticamente ameaçada de extinção e apresenta grande importância sócio-econômica e ambiental”, comenta Ribeiro.

 

Desenvolvido no programa de pós-graduação em Microbiologia Agrícola da ESALQ, o estudo está inserido no projeto temático “Biodiversidade vegetal e de organismos edáficos em ecossistemas de Araucaria angustifolia naturais e impactados no Estado de São Paulo”, financiado pela FAPESP e coordenado pela professora Elke Jurandy Bran Nogueira Cardoso, do Departamento de Ciência do Solo (LSO). De acordo com o pesquisador, os mecanismos de ação desenvolvidos por RPCP são amplamente descritos em culturas agronômicas, no entanto, estudos conduzidos com espécies arbóreas, sobretudo em coníferas, ainda são incipientes.

 

Da floresta ao laboratório - Para viabilizar a pesquisa, a coleta de raízes de araucária foi realizada em uma floresta de mata nativa no Parque Estadual de Campos do Jordão, localizado na Serra da Mantiqueira, em Campos do Jordão (SP). Após a coleta, as análises ocorreram no laboratório de Microbiologia de Solo, no LSO. “O isolamento das bactérias associadas às raízes foi efetuado utilizando meios de cultura específicos. Os isolados bacterianos obtidos passaram por inúmeros testes, buscando-se selecionar os mais promissores. Dentre eles, avaliou-se a produção de hormônios, como auxinas, solubilização de fosfato, fixação assimbiótica de nitrogênio, produção de fosfatases, síntese de sideróforos e antagonismo a fungos patogênicos de espécies arbóreas”, explica o biólogo. Finalmente, os melhores isolados bacterianos foram caracterizados por meio de análises bioquímicas e moleculares.

 

Os resultados mostraram que esses micro-organismos apresentam grande potencial biotecnológico, pois são capazes de aumentar os níveis de nutrientes no solo, como o fósforo e o ferro, e produzirem hormônios que beneficiam o crescimento vegetal. Somados a isso, está a capacidade dessas bactérias em inibirem o crescimento de fungos que causam doenças em espécies arbóreas de grande importância econômica, como Pinus e Eucalyptus.

 

Desdobramentos - Além do autor da dissertação e de sua orientadora, atualmente a aluna de doutorado Marina Yumi Horta Miyauchi desenvolve experimentos nessa linha de pesquisa. O estudo originou ainda um projeto de iniciação científica, conduzido pelo aluno de Engenharia Agronômica Thiago Gumiere, que avaliou a produção de hormônios vegetais (auxinas) produzidos pelos isolados bacterianos, selecionados ao longo do mestrado de Ribeiro, sob o crescimento in vitro de A. angustifolia e Pinus elliottii. Os resultados obtidos foram promissores, favorecendo o crescimento dessas plantas. Além disso, a aluna de doutorado Marina Yumi Horta Miyauchi vem realizando alguns testes para verificar qual seria o melhor veículo para aplicação destas bactérias nas plantas. Para Carlos Ribeiro, o desdobramento da sua pesquisa poderia ocorrer também a partir de uma aproximação com o setor produtivo. “Uma possibilidade seria firmar parcerias com empresas, sejam elas produtoras de inoculantes ou até mesmo de defensivos químicos, que demonstrem interesse por esses micro-organismos promissores. Essas bactérias, após a realização de experimentos específicos, poderiam ser utilizadas como fertilizantes biológicos e agentes de controle de doenças, podendo beneficiar inúmeras culturas”.

 

 

 Fonte: ESALQ Notícias, Ano VIII, Número 23, Março/2011.

 

  




 

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